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Ergonomia é tudo, tudo é Ergonomia: Passando roupas com mais ergonomia

July 29, 2016

Se você não tem quem passe as suas roupas ou se já teve de encarar uma montanha delas por ter deixado acumular, sabe que essa é uma das tarefas domésticas mais ingratas, chatas e com potencial de causar um enorme desconforto, fadiga e até dores nas pernas, costas, braços, ombros e pescoço. Ou seja, não é a toa que 9 entre 10 pessoas odeia passar roupa.

Mas será que a ergonomia poderia ajudar a tornar essa tarefa menos dolorosa?
Vamos tentar responder a essa questão recorrendo novamente aos 4 fatores chave na ergonomia.

 
1) Intensidade

Passar roupa é uma atividade considerada como leve, pela tabela de Lehman. No entanto, se você impuser um ritmo mais rápido, sobretudo na intenção de terminar logo, terá um dispêndio energético maior, podendo provocar fadiga. O ideal é trabalhar em um ritmo normal, ou seja, adequado à velocidade normal do movimento, além de evitar desvios posturais.

O peso do ferro de passar também é um fator importante. Se você precisar movimentar um ferro moderno, leve e com tecnologia que facilite o deslizamento no tecido, certamente terá facilidade muito maior que a sua avó, que precisava lidar com um equipamento de ferro fundido, aquecido à brasa e que chegava a pesar 8 quilos. Portanto, se for inevitável passar roupas, invista em um ferro moderno. Você merece!

 

 


Além do ferro, não podemos nos esquecer da tábua de passar. Realizando alguns testes de caráter puramente prático (sim, nós fizemos isso, passamos roupa por três horas para ver como era), pudemos concluir que, nesta atividade, a altura que melhor proporciona uma postura próxima ao neutro está entre a linha da cintura (um pouco abaixo do umbigo) e a linha do púbis (altura do quadril). Essa altura, obviamente varia de pessoa para pessoa em função da altura, mas na média fica em torno de 80 cm. A literatura técnica recomenda que trabalhos de natureza leve sejam feitos entre 85 e 90 cm para mulheres e 90 e 95 cm para homens, isso mostra que nosso teste está certo!

Sendo assim, se você costuma passar roupas na mesa, em cima da cama ou naquela tábua velha toda torta que você ganhou de presente de casamento, é hora de investir um pouco nesse item. Compre uma tábua robusta, preferencialmente de madeira, que ofereça boa resistência e estabilidade, além é claro, de possuir regulagem de altura. Veja na imagem abaixo, alguns exemplos de postura e os principais desvios posturais a elas associados:
 

 


Superfície muito alta: Para compensar a altura excessiva da superfície de trabalho, o ombro permanecerá elevado e o braço flexionado acima de 45º; além do desvio do punho (desvio ulnar superior a 20º).

Superfície em altura ideal: Trabalhando com a mesa na altura recomendada, mantem-se o tronco mais próximo ao neutro (postura ereta); o ombro tende a manter-se relaxado e os braços com flexão abaixo de 45º. Os punhos não sofrem desvios importantes. E, para complementar a postura ideal, recomenda-se utilizar um pequeno banquinho para apoiar um dos pés, alternando-os. Essa postura ajuda a relaxar a musculatura das pernas e da região lombar, evitando a fadiga em função do trabalho em pé.

Superfície muito baixa: Quando a mesa está abaixo da altura ideal, inevitavelmente haverá flexão do tronco e do pescoço, além de extensão do punho próxima ao máximo.

 

 

2) Duração

Quem nunca prometeu ou viu a mãe ou a esposa prometendo que nunca mais iria acumular roupas para passar? As companhias de luz até recomendam isso: que se evite ligar o ferro várias vezes para passar uma ou duas peças de roupas, em nome da economia de energia. Mas, convenhamos que acumular roupas ao longo de três, quatro semanas não é nada agradável. Isso porque o tempo necessário para acabar com aquela montanha será grande, as vezes três, quatro horas ou até mais em pé, diante do ferro de passar. Portanto, o tempo despendido nessa atividade, não deveria ser superior a duas horas, evitando-se a sobrecarga e consequentemente a geração de fadiga e até mesmo dor.


3) Frequência

Esse fator talvez seja o mais difícil de trabalhar dentro desta atividade, já que depois de iniciada a tarefa, a movimentação dos membros superiores é praticamente contínua, peça após peça. Esse é mais um motivo para se evitar as sobrecargas associadas à intensidade e duração, já descritas acima.
 

4) Mecanismos de regulação

Se você esta diante de uma montanha de roupas e as perspectivas são ruins, ou seja, você vai passar, literalmente, horas até se livrar dela, a melhor coisa é implantar pausas, rodízios e, por que não, ginástica laboral. Mas, como fazer isso?

Pausas: A cada hora em pé, passando roupa, pare pelo menos 5 minutos, caminhe até a cozinha, tome um copo de água, movimente-se um pouco, e sente-se para relaxar as pernas. Depois retome a tarefa e repita a pausa depois de uma hora.

Rodízio: Bem, você deve ter ai um filho, filha ou quem sabe um maridão disposto a ajudar… Então, é hora de colocar a galera pra trabalhar. Se o volume for realmente grande, tente dividir a tarefa com alguém, nem que seja para passarem as peças mais fáceis, ou para irem pendurando as peças já passadas nos cabides, dobrando, guardando, assim você minimiza o seu esforço.

Ginástica Laboral: É óbvio que você não vai seguir a metodologia técnica de um programa de cinesioterapia, mas pode perfeitamente alongar braços, pernas, tronco e pescoço, já que essas áreas acabam sendo as mais sobrecarregas por essa atividade. Então, sempre que fizer as pausas, alongue-se, você vai notar a diferença.

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