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4 Fatores-chave para uma avaliação ergonômica

July 28, 2016

 Quando se fala em ergonomia, a primeira coisa que vem à cabeça são as questões posturais ou o trabalho repetitivo. Porém, há muito mais coisa entre o céu e a terra, ou melhor, entre o homem e o seu trabalho do que a maioria acredita.

 

A correta adaptação do trabalho ao homem deve ser feita a partir da análise ergonômica dos postos de trabalho, e para que o profissional não deixe escapar nenhuma informação importante, é preciso atentar para os quatro fatores primordiais relacionados à tarefa que está sendo executada.

 

São eles: intensidade, frequência, duração e os mecanismos de regulação.

Não é atoa que as ferramentas ergonômicas mais utilizadas e reconhecidas mundialmemte: Método de Suzanne Rodgers, Moore & Garg, Método OCRA, Ciriello, incorporam esses fatores em suas metodologias.

 

No artigo de hoje vamos dissertar um pouco sobre cada fator e as consequências que podem afetar o trabalhador quando esses aspectos não são observados.

 

Vamos ver cada uma delas:

 

INTENSIDADE

Um trabalhador levanta uma carga pesando 60 kg. A frequência desse levantamento é muito baixa, já que a ação é realizada uma única vez na jornada diária; a carga é levantada a 0,75 m em relação ao piso; a qualidade de pega é ótima, pois o objeto levantando possui alça; não há rotação de tronco, ou seja, o movimento é simétrico; o funcionário possui treinamento quanto a forma correta de se levantar cargas; a duração do trabalho é baixa, 10 minutos, ou seja, o tempo total contabilizado é menor do que uma hora. Se você fosse analisar essa tarefa, como classificaria esse posto?

 

Independente da ferramenta ou metodologia que você escolher, temos que concordar que a intensidade do esforço, 60 kg, é muito alta, independente dos demais fatores serem favoráveis. Mesmo assim, diante de situações como essa é muito comum ouvir da boca de gestores frases do tipo: “Não tem problema, pois ele só pega uma vez por dia”. Mas, eles se esquecem de que, nesse caso, o fator frequência (vezes por minuto) ou a duração do esforço já não são relevantes, pois a questão predominante neste caso é a intensidade, ou seja, o quanto de força o indivíduo tem que realizar para erguer a carga que, neste exemplo, ultrapassa muito o limite considerado ideal.

 

FREQUÊNCIA

O inverso também ocorre e é tão preocupante quanto: “É leve, pesa só 5 kg, não vejo problemas nisso.”

OK! Mas, qual a frequência desse levantamento? 20 caixas por minuto? Com essa frequência, haverá tempo suficiente para a recuperação do processo fisiológico da musculatura envolvida? A oxigenação e limpeza residual do tecido muscular será eficiente? Será que essa estrutura envolvida no esforço não irá entrar em fadiga e, persistindo a situação, evoluir para uma lesão?

 

DURAÇÃO

Vamos pensar num caso onde a intensidade e a frequência sejam baixas, porém a manutenção da contração muscular do segmento corpóreo envolvido na tarefa é mantida por um longo período. Ou seja, para executar a tarefa o indivíduo realiza uma contração isométrica (realização de força sem que o músculo se alongue). O músculo se mantém contraído, consequentemente os vasos sanguíneos são estreitados. O resultado é uma circulação sanguínea pobre e, como consequência, o oxigênio e os nutrientes que irão nutrir o músculo, assim como o residual proveniente do trabalho muscular realizado, serão todos afetados. Resumindo: não há tempo para uma recuperação adequada da musculatura e o processo de fadiga irá ocorrer, mais uma vez esse indivíduo está sujeito à situação de desconforto ou até mesmo de uma possível lesão.

 

MECANISMOS DE REGULAÇÃO

São considerados mecanismos de regulação as pausas, os rodízios, a liberdade de movimentação por parte do trabalhador e a autonomia para escolher e variar a postura de trabalho e o balanceamento adequado da linha.

Esse talvez seja um dos principais fatores e que muitos profissionais se esquecem de levar em consideração durante uma análise ergonômica.

Mesmo que o trabalho analisado seja penoso, complexo ou desenvolvido num ambiente com arranjo físico desfavorável, se houver um tempo para adaptação e uma recuperação adequada, mecanismos de regulação, os riscos ergonômicos poderão ser mitigados.

 

Portanto, toda vez que você ou algum gestor próximo a você for analisar uma atividade do ponto de vista ergonômico, lembre-se do “Quarteto Fantástico”: intensidade, frequência, duração e mecanismo de regulação!

 

 

 

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