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Tapete Ergonômico – Anti Fadiga

July 30, 2016

Trabalhar o tempo todo em pé é sem dúvidas uma das ações técnicas mais comuns e uma das maiores causas de risco ergonômico nos ambientes de trabalho.

 

 

Dentro da avaliação ergonômica, quando avaliamos posturas, podemos dividir de forma didática o trabalho em pé ou posição ortostática em 3 tipos:

 

1. Trabalho em pé sem movimentação – estático.


2. Trabalho em pé como pouca movimentação – 1 ou 3 passos no máximo.


3. Trabalho em pé caminhando.

 

Dessas 3 divisões, a primeira sem dúvidas é a pior. O ideal sempre é que o operador possa escolher a própria postura e alterne entre trabalho em pé, sentado e andando. Mas, não sendo possível essa alternância de postura, e na maioria das vezes não é, a medida paliativa é respeitar alguns limites.

 

Em outro post vamos falar mais sobre avaliação ergonômica com foco em postura, o objetivo hoje será o trabalho em pé, entre as situações 1 e 2 descritas acima.

 

A NR 17 fala claramente em seu item 17.3.1. que:

“ Sempre que o trabalho puder ser executado na posição sentada, o posto de trabalho deve ser planejado ou adaptado para esta posição.” 

Esse é um dos itens preferidos dos auditores fiscais do MTE quando em sua visita às empresas, e paradoxalmente, é um dos mais negligenciados pelos gestores, nas empresas.

 

O erro nasce na prancheta, ou nos softwares dos projetistas da engenharia industrial. Quando um engenheiro projeta um posto de trabalho e pensa nas tarefas que serão desempenhadas, ele prevê uma série de situações: tipos de ferramentas, arranjo físico, uso de softwares, mas se esquece de um elemento muito importante, fundamental desse sistema, o homem.

 

Assim como as máquinas possuem sua mecânica, com diferentes tipos e resistências dos materiais, o ser humano também possui diferenças entre os materiais e suas resistências: ossos, ligamentos, tendões, cápsulas, músculos, cartilagens, se comportam de diferentes maneiras quando submetidos a esforços. Trabalhar em pé, parado ou com pouca movimentação, por horas, gera uma sobrecarga em várias dessas estruturas e requer cuidados.

 

Uso do tapete ergonômico

 

Assim como acontece com a indicação do uso da cinta lombar nas atividades de levantamento manual de carga, o uso do tapete ergonômico é muitas vezes recomendado nos planos de ações das AETs, como se fosse uma solução para eliminação do risco ergonômico. Porém, tanto o tapete como a cinta (para saber mais sobre o uso da cinta lombar leia o artigo que escrevemos) não possuem comprovação suficiente para homologar esse acessório como solução definitiva, longe disso.

 

Os tapetes ergonômicos ou antifadiga, são desenvolvidos para reduzir o cansaço nos pés, naquelas atividades onde o funcionário permanece em pé, sobre superfícies duras, como pisos de concreto, por exemplo, durante longos períodos sem pausas adequadas para recuperação.

 

Esses acessórios ou podemos chama-los até de EPCs – Equipamentos de Proteção Coletiva, podem ser fabricados de vários materiais: borracha, materiais utilizados em carpetes, vinil e madeira.

 

Didaticamente eu gosto de usar como exemplo a 3ª lei de Newton, a que diz que se um CORPO A aplicar uma força sobre um CORPO B, receberá deste uma força de mesma intensidade, mesma direção e de sentido contrário. Nesse caso, o CORPO A é o OPERADOR e o CORPO B é o PISO.

 

Como a pessoa não está se movimentando, a massa do seu corpo mais a ação da gravidade contra o piso, gera uma força contrária, chamada na física de normal, que não se dissipa, sendo absorvida pelas estruturas dos pés, articulação dos tornozelos, joelhos e até da coluna, principalmente região lombar.

 

Pensando nesse princípio, por si só, já justifica o ganho ao utilizar um tapete ergonômico, que cumpriria o papel de amortecer esse impacto. Fazendo uma analogia bem grosseira, é a função cumprida pelos meniscos, nos joelhos e discos intervertebrais na coluna.

 

Contudo, o tapete não resolve por inteiro o problema. Desconforto, cansaço, fadiga e até mesmo dor nos pés, depois de longas horas em pé, são efeitos combinados de fatores severos, de um mau design do posto de trabalho, que se iniciou lá atrás, na fase do projeto.

 

A indicação de EPIs e/ou EPCs nunca são a melhor solução. Eliminar a condição da causa raiz do problema, se possível de forma antecipada, ainda é a medida mais barata e eficaz.

 

Se você estiver pensando em recomendar ou comprar um tapete ergonômico na empresa onde trabalha, pense nos outros fatores que devem ser considerados quando se fala em trabalho em pé.

 

Ações preventivas que devem ser pensadas na fase de projeto de qualquer posto de trabalho:

 

1. Projetar ou organizar as atividades de forma que o operador possa escolher e alternar as posturas de trabalho entre: em pé – sentado – e andando, sempre que possível.


2. Disponibilizar assento adequado para sempre que possível o operador poder trabalhar sentado ou semi sentado.


3. Disponibilizar calçado de segurança com solado bi-densidade de boa qualidade. O uso de palmilhas adequadas pode ser necessário.


4. Pensar em alternativas onde os revestimentos dos pisos, sejam confeccionados com material que auxilie a absorção de impacto.


5. Em último caso, não sendo possível colocar em ação a situação 1, acima, uma alternativa pode ser pensar em programas de pausa e/ou rodízio.

 

Como medida paliativa, o uso do tapete antifadiga pode ser uma boa opção para mitigar e não eliminar o risco, desde que seguido alguns cuidados:

 

1. Avaliar o local, quanto as características das atividades, de modo a prevenir acidentes, tropeços e/ou quedas.


2. Pesquisar opções de tapetes ergonômicos no mercado, pedindo certificações de qualidade sempre que possível, de modo a garantir a durabilidade, resistência, densidade adequada do tapete etc.


3. Ter uma Análise Ergonômica do Trabalho – AET, feita por profissional capacitado, de modo a embasar a real indicação/recomendação do uso do tapete para determinada atividade.


4. Testar o tapete antes de comprar e aplicar um questionário de avaliação por parte dos operadores.


5. Cuidar para que haja um programa formal de manutenção e troca do tapete, conforme especificações do fabricante e/ou demanda de uso de cada posto (podendo haver um tempo menor, devido a desgaste natural).

 

Resumindo:

O uso de tapete ergonômico não elimina por completo os efeitos causados pelo trabalho feito o dia inteiro em pé, muito menos elimina o risco ergonômico quando não existirem pausas adequadas. Porém, quando combinado com um ambiente de trabalho adequado e com os demais fatores discutidos aqui, ele pode melhorar significativamente as condições de trabalho.

 

Abraço e Go ahead together!!!

 

Escrito por:

Omar Alexandre Ferreira, sócio fundador da Ergotríade, é Fisioterapeuta do Trabalho, Engenheiro de Produção e Mestrando em Ergonomia.

Revisado por:

Rodrigo Cirino de Souza, sócio co-fundador da Ergotríade, é Engenheiro de Produção e Comunicador Social.

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