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Qual a tendência da Segurança e da Ergonomia para os próximos 15 anos

July 29, 2016

Qual a tendência da Segurança do Trabalho e da Ergonomia para os próximos 15 anos

 

 

 

Por volta de 1995 quando iniciei minha carreira na área de saúde e segurança do trabalho, a Ergonomia no Brasil não era 10% do que é hoje. Muitos anos se passaram e hoje o cenário é completamente diferente. Nada funciona se não estiver estruturado a partir de um bom sistema de gestão. Você tem softwares e acesso a literatura do mundo inteiro que tornam o trabalho muito mais dinâmico e eficaz. A Ergonomia está cada vez mais difundida e dificilmente você encontra uma empresa que nunca ouviu falar sobre isso. É possível encontrar cursos facilmente, sejam presenciais ou à distância.

 

Mas qual a tendência para os próximos anos? Nessa matéria vamos trazer alguns assuntos polêmicos e apresentaremos o que acreditamos ser um caminho sem volta. O que podemos esperar em termos de evolução, resultados e inovação quando o assunto é Ergonomia.

 

Muita gente defende a reformulação da NR 04 SESMT com a inclusão de novos profissionais, como por exemplo, os fisioterapeutas do trabalho. Eu entendo quem defende essa causa, mas não acredito que ela seja a melhor saída ou que essa mudança seja a solução para melhorar as ações voltadas a prevenção de doenças osteomusculares ou problemas resultantes de ambientes onde não haja ações voltadas para Ergonomia.

 

Há 10, 20 anos o profissional que trabalhava com saúde e segurança era responsável por fazer tudo dentro da empresa, quando digo tudo eu me refiro as suas obrigações e a muitas outras coisas que não tinham nada a ver com questões técnicas, como cuidar de portaria ou da limpeza e jardinagem. Muitos que estão lendo esse post nesse momento podem estranhar o fato de eu estar me referindo a essa prática como sendo algo do passado, sendo que existem muitas empresas que fazem isso até hoje. Existe, mas é diferente. Hoje você tem outros recursos que não existiam no passado e o principal deles, são as consultorias, coisa inimaginável naquela época. Contratar uma empresa para ministrar um treinamento de CIPA, evitando comprometer 20 horas do trabalho de um técnico, seria encarado como uma piada, como um custo dobrado.

 

Eu não só acredito que o fisioterapeuta do trabalho não fará parte da NR04 como também acho possível que a relação de técnicos, engenheiros e médicos do trabalho com as empresas, evolua para um formato diferente do que existe hoje.

Na década de 70, 80, a pressão de empresas multinacionais e o crescimento do Brasil fez com que surgissem normas de saúde e segurança do trabalho introduzindo os profissionais dessas áreas às empresas. Essa mudança foi fundamental, vital e necessária. Precisávamos de uma mudança radical e brusca para frear o crescimento exponencial dos acidentes do trabalho. Depois, surgiram as “epidemias” de LER / DORT. graças à informatização e o crescimento de trabalhos industriais em condições não favoráveis à biomecânica e à fisiologia de homens e principalmente mulheres.

 

O que ocorre é que hoje as empresas não seguem mais a “cartilha” somente por pressão legal. Existe outra preocupação, conquistar ou manter certificações. A fatia da pizza de demandas de contratação de trabalhos em Ergonomia ainda envolve, em sua maioria, exigências legais, seja por processos trabalhistas ou fiscalização do MTE. Mas muitas empresas já passaram dessa fase e buscam esses serviços para melhorar seus ambientes de trabalho e consequentemente seus indicadores.

 

Eu acredito que uma mudança – não agora, mas daqui a uns 15 anos – será saudável para todo mundo. Hoje, existem profissionais que trabalham em mais de uma empresa, mesmo que em situação ilegal até, já que a legislação limita tal prática.

 

A exigência pela contratação e manutenção desses profissionais dentro das empresas deve ser cada vez maior, mas não necessariamente nos moldes como é feito hoje.

 

Não existe obrigação legal em contratar um fisioterapeuta do trabalho, assim como funciona com um engenheiro de segurança, por exemplo, mas mesmo assim, muitas empresas mantém essa prática, por que?

 

Porque dá resultado!

 

E os profissionais que se mantém por anos dentro de empresas tem que matar um leão por dia, pois não existem amarras que não sejam seus indicadores ou coisa do tipo.

 

Tem muito técnico de segurança, engenheiro e médico do trabalho mega competente, com multi-habilidades e postura de gestor. Muitos possuem nível superior, pós e tudo mais, mas existe uma parcela muito ruim, e que mantém seus empregos graças à legislação. Todos os anos são formados novos profissionais que mal sabem ler e escrever e que são introduzidos no mercado de trabalho com salários incompatíveis com a sua incompetência.

É uma questão de maturidade, de otimismo por parte de quem acredita que daqui a 15 anos o Brasil terá evoluído a ponto de só ter oportunidades para quem realmente for bom, assim como acontece na maioria das profissões. A empresa não vai mais contratar e manter um profissional só para fazer número, ou pedir para o picareta assinar meia dúzia de documentos e ficar o dia todo na portaria tomando cafezinho.

 

 

As consultorias tem um papel fundamental nisso tudo. Muitos trabalhos feitos hoje por consultores poderiam e deveriam ser feitos pelos “gestores” das empresas.

O consultor não deve ser contratado para pegar teu relógio e lhe falar a hora, mas sim, para lhe “educar”, para que você escolha o melhor relógio, e a partir dai lhe ajudar a trabalhar suas horas de forma mais produtiva e eficaz. Esse é o modelo ganha-ganha no qual a Ergotríade acredita.

 

Eu acredito que o formato ideal daqui a 15 anos, seja a flexibilidade e autonomia dos bons profissionais, para que eles trabalharem de forma livre e de modo a apresentarem cada vez mais resultados que melhorem as empresas e as pessoas.

A vantagem quando se contrata um consultor é ter um profissional com diferentes vivências e repertório suficiente para resolver qualquer problema da melhor forma possível.

 

E onde entra a Ergonomia nisso tudo?

 

Eu acredito em uma nova Ergonomia: a “Engenharia da Ergonomia”. A Ergonomia assim como os programas de segurança do trabalho, não serão mais trabalhados de forma isolada aos demais programas da empresa. Vai ser tudo uma coisa só. Uma ISO integrando Meio Ambiente, Segurança e Qualidade, como já praticado em muitas empresas de grande porte e grande mentalidade.

Eu acredito que todas as normas, todos os programas e ações praticadas na empresa serão uma coisa só.

 

Por exemplo:

 

O pessoal de tempos e métodos terá que trabalhar considerando fatores que respeitem as regras de Ergonomia, isso também já acontece em partes hoje.

O médico do trabalho tomará decisões com base nos resultados colhidos através de relatórios técnicos emitidos por educadores físicos e fisioterapeutas do trabalho, que trabalharão juntos em laboratórios de biomecânica ocupacional e núcleos de preparação física. Já existem empresas que com algo parecido em funcionamento.

 

Os programas de Lean Manufacturing e melhorias de produção serão integrados às melhorias ergonômicas dos postos de trabalho, ferramentas e maquinários, assim como os treinamentos de capacitação e programas de integração.

Eu acredito na evolução e revolução das pessoas, empresas, sistemas e tudo mais, eu sou mega otimista com relação a tudo isso. E você? No que você acredita? Concorda? Discorda? Ou prefere ficar em cima do muro observando o movimento daqueles que estão fazendo a revolução? Deixe seu comentário, participe.

 

É isso ai! Acreditando 80% ou 20%, vamos pra cima!

 

 

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