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O monge e o empreendedor: 5 aprendizados que todo empreendedor pode tirar com a rotina de um monge

July 29, 2016

O monge e o empreendedor 

5 aprendizados que todo empreendedor pode tirar com a rotina de um monge.

 

 

Aproveitando o fim das festanças, o post desta semana traz tudo sobre uma experiência incrível e única que vivi em um Mosteiro no final do ano passado. Foram 10 dias, de 24 de dezembro de 2014 a 3 de janeiro de 2015.

 

Eu resolvi escrever esse post para compartilhar um pouco dessa experiência com vocês. O texto é longo, mas está dividido em diferentes assuntos.

Dos muitos aprendizados que eu tive, separei cinco, que tem tudo a ver com o mundo corporativo e com o que fazemos diariamente, muitas vezes no piloto automático.

 

A escolha do local

 

 

Depois de inúmeras googadas, encontrei o local que me parecia mais ideal. Um recanto incrível de paz e harmonia. Para saber mais sobre o lugar é só visitar o site dos caras, você vai encontrar todas as informações que quiser. 

 

A Rotina de um Monge

A rotina seguida religiosamente era a seguinte:

05h30: Hora de acordar.

06h00 às 07h00: Meditação.

07h30 às 08h00: Café da manhã com frutas, mingau de banana e suco de frutas.

08h00: Fim do horário de silêncio e sessão de perguntas e respostas com o Guru espiritual chamado Satsanga.

10h00 às 11h00: Yoga (uma vertente com diferentes técnicas). Imperdível, animal, espiritual, mega energizante, faz bem para o corpo e a mente, na melhor concepção da palavra. A Yoga trabalha respiração, alongamento, exercícios de fortalecimento com isometria, equilíbrio, concentração, melhora a propriocepção (conhecimento do próprio corpo).

12h00 às 13h00: Almoço, realizado em silêncio e com cardápio lacto vegetariano.

13h00 às 18h00: Horário livre. Geralmente aproveitávamos para fazer caminhadas que as vezes duravam duas horas no meio de diferentes trilhas espalhadas por uma área verde incrível.

 

Olha eu ai com a galera que conheci por lá.

 

 

O pessoal vem de todos os lugares: São Paulo, Minas, Nordeste… Tinha até duas gringas da Irlanda.

18h00 às 19h00: Meditação. As 18h começa o horário de silêncio absoluto, que vai até às 08h da manhã seguinte.

19h30 às 20h00: Jantar, também realizado em silêncio. No cardápio caldo ou sopa.

20h30: Toque de recolher. Todos devem se retirar aos seus dormitórios e permanecer por lá.

21h00: Apagam-se todas as luzes, inclusive dos banheiros. Tem que levar uma lanterna para conseguir se orientar no meio da escuridão.

A seguir eu relato a minha rotina e as lições que tirei em cada dia. Vou tentar seguir uma ordem cronológica dos acontecimentos. Vamos lá:

 

Mudança de hábito

No Brasil não temos o costume de utilizar transporte público. A desculpa é que não funciona, mas a verdade é que a escolha tem muito mais a ver com hábito. Existem muitas situações onde viajar de ônibus, utilizar metrô ou até mesmo pegar um táxi é melhor do que tirar o carro da garagem.

Eu fiz a viagem toda de ônibus. Foram 7 horas no total, de Jundiaí à São Paulo e de lá até Minas Gerais.

 

Aprendizado 1.
Quando você faz a mesma coisa de maneira diferente, você tem novas descobertas. Faz parte da minha rotina diária pegar estrada, ir de uma cidade à outra, visitar empresas, clientes, passar horas no volante, pegar trânsito, e a decisão de ir de ônibus foi justamente para que eu não precisasse me preocupar com nada que não fosse viver essa experiência de fazer as coisas de um modo diferente daquele que estou acostumado. Fazer mais com menos, desapegar, relaxar, focar no que é importante. O ser humano por natureza não gosta de mudanças. É desconfortável sair da nossa rotina, mas os ganhos podem ser enormes. Nas 7 horas de viagem eu li parte dos 3 livros que eu levei no meu Kindle. As vantagens de um leitor digital em relação aos livros físicos, tradicionais, são infinitas, eu pude levar um acervo de 1.000.000 de livros sem nenhum esforço. Mas a escolha do que eu iria ler também fazia parte do planejamento dos 5s que eu vou falar logo mais. Os livros tem tudo a ver com as reflexões, insights e inspirações que vão servir para o planejamento de um ano inteiro.

 

Veja abaixo os títulos e um pouco do se trata cada livro:

 

Startup Brasil, conta a história fodástica de 10 empreendedores brasileiros, entre eles os fundadores da Turma da Mônica, O Boticário, Cacau Show, Gran Sapore entre outros. O livro é adrenalina na veia, super inspirador para quem está ou pretende empreender. Deveria ser leitura obrigatória nos cursos acadêmicos.

A Biografia de Leonardo da Vinci, um verdadeiro gênio, um mito, um currículo que inspira tanto quem está começando como quem se acha o Phdeus. A coisa mais legal da história de Da Vinci são as multifacetas que ele tinha: engenheiro de guerra, um dos maiores pintores renascentistas, organizador de eventos, empreendedor, estudioso da anatomia humana etc, etc, etc.

 

O Símbolo Perdido, um dos clássicos de Dan Brown que eu ainda não tinha lido. Não tem como parar de ler. O livro conta a história da Maçonaria, além de trazer vários questionamentos entre os diferentes símbolos religiosos e a existência humana, misturando ficção, filosofia com realidade e ciência.

 

Aprendizado 2.
Aplicando a filosofia dos 5s na vida

As razões pelas quais as pessoas escolhem ir para um mosteiro, mergulhar em um retiro, são diversas. No meu caso esse projeto já estava na pauta há pelo menos dois anos. Final de ano é a época universal da loucura, dos happy hours, da comilança, do consumo, compras, gastos e 1000 promessas para o ano que está chegando. A minha escolha teve a ver com uma oportunidade de parar tudo, me desligar 100% de todos os meios de comunicação e fazer um 5s geral, para dai começar o ano de forma mais assertiva e enxuta. A filosofia dos 5s, tem a ver com a busca por um ambiente mais organizado, mais produtivo. O método que surgiu nas empresas japonesas no pós guerra, trabalha os 5 sensos onde tudo começa pelo dia D, chamado de housekeeping, que pode durar até uma semana. Nesse período existe uma programação especial onde cada senso “S” é colocado em prática.

 

Senso de utilização: escolher o que serve e o que não serve mais;
Senso de ordenação: definir um lugar para cada coisa e manter cada coisa em seu lugar;
Senso de limpeza: limpar tudo, inclusive o espírito;
Senso de saúde: mente sã corpo são. Sem dúvida o mais difícil de todos para nós brasileiros;
Senso de autodisciplina: a busca constante pela manutenção e aperfeiçoamento do sistema.

 

Ter um período do ano onde você para 5, 7, 10 dias para colocar cada “S” em ação, faz toda a diferença e estar em um ambiente como um mosteiro, no meio da natureza, com aulas de meditação, Yoga, caminhadas, dieta balanceada e um silêncio absoluto lhe dão as condições ideais para isso.

 

Aprendizado 3.
O uso da tecnologia, seja ela qual for, não pode substituir as habilidades mais básicas das pessoas. A tecnologia é a coisa mais incrível do mundo… Mas você não precisa dela para viver. Essa afirmação, além de contraditória, é quase uma heresia para quem é fã incondicional de Gadgets como eu. Logo na entrada, quando você está fazendo seu check-in, todos os seus aparelhinhos são confiscados: celular, tablet, iPod, notebook e o que mais tiver bateria e fizer barulhinho. Em todo o tempo de permanência no retiro você não tem contato nenhum como o mundo exterior. Todas as refeições são feitas em absoluto silêncio. O recurso mais tecnológico que você tem é uma lanterna. A única exceção que eu tive, contrariando totalmente as recomendações do monge, foi o uso do Kindle para leitura. A tecnologia é incrível, é verdade, fundamental, necessária, essencial, mas todo mundo é capaz de viver sem ela. Passar por uma experiência de ausência total de eletrônicos e da internet, desperta em você todos os sentidos que normalmente deixamos de lado. E para qualquer profissional essa habilidade é um diferencial crucial. Imagina que cai o sistema no meio do seu dia de trabalho. O que você faz? Pega as coisas e vai para casa? Você pede pra sair? Se você for um cara medíocre, pode ser a única opção, mas tem muita coisa que pode ser feita. O próprio ócio produtivo que tanto se ouve falar… Quando se experimenta o silêncio e a meditação, vários insights impossíveis de se ter quando estamos mergulhados em um mundo de estímulos veem à tona. A reprodução desse cenário deveria ser vivida pelo menos uma hora todos os dias. Nada de TV, celular, rádio, só você com você mesmo.

 

Existe uma história sobre uma experiência vivida em um hospital. Vários fisioterapeutas de diferentes países estavam trabalhando em uma espécie de exercício simulado de emergência. Em dado momento a energia do prédio foi cortada propositalmente e sem aviso, e os pacientes ficaram sem os recursos de ventilação mecânica. Todos ficaram atônitos, sem saber o que fazer, e lá estava o brasileiro que pegou um Ambu (equipamento manual utilizado para auxiliar na respiração assistida) e manteve o paciente vivo, mesmo sem energia, sem a tecnologia dos respiradores mecânicos.

 

Essa história pode ser uma lenda, mas é um bom exemplo sobre criatividade e capacidade de produzir mesmo sem os recursos tradicionais.

“Se você soubesse o mínimo de recursos que um ser humano precisa para viver, você iria se surpreender.” (Satiavan)

 

Essas foram as palavras do Satiavan, o guru, que respondia a perguntas de diferentes cunhos: filosóficos, religiosos, sentimentais. Ele ilustrou seu comentário dizendo que conheceu povos, tribos, que vivem nas montanhas, pelados, comendo raízes que encontram pelo caminho, mas mesmo sob essas condições primitivas, são mega realizados e com uma serenidade incrível.

 

Aprendizado 4. 
A gente pode viver com muito menos do que vivemos.

Eu estava com 135 kg, tenho 2 metros de altura, e teoricamente preciso manter uma dieta de muitas calorias, sem falar dos hábitos.  Sou mais carnívoro do que um Viking. Ao contrário do meu sócio que é vegetariano, não fico uma semana sem carne. E o aprendizado que tirei depois desses 10 dias, além dos 5 kg a menos, foi que:

  1. A gente come muito mais do que precisa.

  2. A gente não se alimenta só de comida.

  3. O que você come faz toda a diferença na sua energia (mente e corpo).

  4. Precisamos nos desintoxicar pelo menos uma vez por ano.

  5. Não precisamos de carne para viver (obs.: não virei vegetariano, mas sei que posso e vou reduzir a quantidade de carne que eu consumo, principalmente carne vermelha).

  6. Não tem nada melhor para criatividade, saúde, desenvolvimento, para mente, para o corpo, do que manter uma rotina. Rotina de alimentação, de horários, de atividade física, de sono. Tenha uma rotina!!!

  7. A melhor resposta para todas as suas dúvidas, seja as mais existenciais ou as mais superficiais é o silêncio e a meditação, e isso não custa absolutamente nada, é de graça e está disponível a qualquer momento.

 

Você tem duas orelhas e uma boca, respeite a proporção.

É clichê dizer que a comunicação é o mal do século. Nos negócios não é diferente! Propostas são fechadas ou não dependendo do que os interlocutores estão falando. Você trabalha duro e não recebe a promoção desejada.

 

Quem estuda uma segunda língua e faz sua primeira viagem internacional, aprende logo que mais importante do que saber falar, é saber ouvir. Se o seu vocabulário for pífio, se você não tiver tanta fluência, mas conseguir ouvir e compreender o que a outra pessoa estiver falando, a comunicação acontece.

O problema é que a dificuldade em ouvir a outra pessoa não acontece só quando estamos falando em idiomas diferentes, mesmo quando a conversa é doméstica, as pessoas não ouvem genuinamente, no máximo elas escutam, o que é completamente diferente de ouvir, mais ou menos como acontece com o ver e o enxergar.

 

Aprendizado 5.
Para aprender a ouvir de forma genuína é preciso aprender a permanecer em silêncio

Você pode morar sozinho, trabalhar em casa, permanecer a maior parte do tempo com você mesmo, mas dificilmente você vai ter a chance de experimentar o verdadeiro silêncio.

O silêncio provoca um dos maiores ruídos que alguém pode ouvir. Estar sozinho de verdade não tem a ver com não ter ninguém ao seu lado, pelo contrário. Estar sozinho, em silêncio, tem a ver com estar consigo mesmo, mesmo que você esteja cercado de pessoas.

 

Dos 10 dias que fiquei em retiro eu consegui ficar só 5 dias sem me comunicar com absolutamente ninguém. Nada de bom dia, boa tarde ou boa noite; nada de obrigado ou com licença. Cinco dias sem comunicação. Quem me conhece pode imaginar como isso foi difícil… hehehe.

 

Mas, essa experiência me fez perceber o quanto ganhamos quando respeitamos o silêncio e isso nos ensina a ouvir as outras pessoas.

 

Espero que esse post sirva de inspiração para você, que sirva como uma espécie de cartilha, um manual de melhores práticas para todos nós que vivemos muitas vezes no automático, fazendo mais do mesmo, dia após dia.

 

Se você gostou desse texto, deixe seu comentário, sua crítica, sua experiência. Essa é a melhor forma que você tem de retribuir esse conteúdo que está sendo disponibilizado, e serve como combustível para seguirmos com nossa MISSÃO:

“Ajudar as pessoas a tomarem melhores decisões”.

Afinal, foi para isso que viemos, e você?

Vamos pra cima!!!

 

 

 

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