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Comentários sobre os 10 itens envolvendo a Ergonomia da NR-31

July 29, 2016

Comentários sobre os 10 itens envolvendo a Ergonomia da NR-31O item 31.10 da Norma Regulamentadora nº 31, que trata da Segurança e saúde no trabalho na agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura, fala especificamente da ergonomia nestas atividades. Porém, como quase sempre acontece com a NR, as exigências e determinações são vagas, qualitativas e capazes de gerar interpretações diferentes, além de provocar muitas dúvidas.

 

Recebemos, em nosso site, algumas perguntas sobre essas questões e resolvermos preparar esta matéria.Basicamente os nove itens que tratam de Ergonomia dentro da NR-31 poderiam ser resumidos em um único item que determinasse ao empregador a realização de uma análise ergonômica eficiente e eficaz, já que a única forma de se cumprir estes itens, é através da realização de uma análise que atenda à NR-17 e que seja conclusiva.

 

Vamos ver:

Item 31.10.1 O empregador rural ou equiparado deve adotar princípios ergonômicos que visem a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar melhorias nas condições de conforto e segurança no trabalho.

Adotar princípios ergonômicos visando adaptar o trabalho às características do trabalhador a fim de preservar sua saúde é o princípio básico da ergonomia. A realização de uma Análise Ergonômica baseada na análise do ambiente, das pessoas e dos riscos é o primeiro passo para garantir isso.

 

Veja neste infográfico alguns conceitos que envolvem uma Análise Ergonômica do Trabalho. 

 

 

 

31.10.2 É vedado o levantamento e o transporte manual de carga com peso suscetível de comprometer a saúde do trabalhador.

Esse item só pode ser atendido com a análise quantitativa, baseada em ferramentas ergonômicas reconhecidas cientificamente e que possam comparar o peso real com o máximo admissível para cada caso. Muitos profissionais partem do pressuposto que os 23 Kg estabelecidos pela equação de Niosh representam o peso máximo que pode ser manipulado, mas se esquecem de que este valor está vinculado às condições plenamente ideias, conforme diversos fatores envolvendo os postos de trabalho, o que na maioria das vezes não é o que ocorre na empresa.

 

31.10.3 Todo trabalhador designado para o transporte manual regular de cargas deve receber treinamento ou instruções quanto aos métodos de trabalho que deverá utilizar, com vistas a salvaguardar sua saúde e prevenir acidentes.

Treinar os funcionários sobre métodos e até mesmo sobre posturas a serem evitadas é uma forma de trabalhar a prevenção. No entanto, mais uma vez, batemos na questão da Análise Ergonômica. Se não houver uma análise que identifique os pontos de melhoria e se a empresa não adequar as situações não-conformes, o treinamento não será eficaz. Muitos profissionais acreditam que orientar o funcionário a pegar cargas do piso flexionando os joelhos ao invés da coluna é o suficiente para tornar a atividade mais “ergonômica”. O que definitivamente só isso não basta.

 

31.10.4 O transporte e a descarga de materiais feitos por impulsão ou tração de vagonetes sobre trilhos, carros de mão ou qualquer outro aparelho mecânico deverão ser executados de forma que o esforço físico realizado pelo trabalhador seja compatível com sua saúde, segurança e capacidade de força.

A realização de Análises Ergonômicas qualitativas muitas vezes baseadas única e exclusivamente na percepção do analista podem acarretar dois tipos de erro: ou a análise fica restritiva demais, impondo limites que oneram a empresa sem necessidade. Ou então, ficam amenas demais, expondo os trabalhadores a riscos que podem comprometer a saúde. A única forma de garantir que o esforço utilizado na movimentação de equipamentos de transporte de carga está dentro dos limites é através de uma análise quantitativa, feita por meio de um estudo específico de dinamometria, onde sabe-se exatamente a força aplicada, a frequência, a duração e até mesmo os mecanismos de regulação disponível. Cruzando-se todas essas informações com ferramentas ergonômicas reconhecidas cientificamente, tem-se um resultado e um plano de ação muito mais precisos. Sem faltas ou exageros.

 

31.10.5 Todas as máquinas, equipamentos, implementos, mobiliários e ferramentas devem proporcionar ao trabalhador condições de boa postura, visualização, movimentação e operação.

A consideração dos princípios de Ergonomia Cognitiva e Antropometria na realização de uma Análise Ergonômica é um fator que não pode ser deixado de lado. A interface homem x máquina precisa ser pensada e projetada para permitir interações efetivas, com o mínimo de esforço e sem desvios posturais, de modo a garantir resultados eficientes e eficazes, minimizando ou eliminando totalmente as chances de erros que, em determinados processos, podem resultar em problemas graves.

 

31.10.6 Nas operações que necessitem também da utilização dos pés, os pedais e outros comandos devem ter posicionamento e dimensões que possibilitem fácil alcance e ângulos adequados entre as diversas partes do corpo do trabalhador, em função das características e peculiaridades do trabalho a ser executado.

A utilização de pedais sempre chama a atenção durante o levantamento de dados para a realização de uma Análise Ergonômica. Além de fatores físicos como o posicionamento e a dimensão dos pedais, como citado no item, fatores relacionados à atividade são cruciais para determinar se a atividade constitui uma ação técnica normal ou não, são eles: a intensidade (desvio postura e/ou esforço necessário para o acionamento); duração do esforço (tempo em que o trabalhador permanece continuamente executando o esforço) e, por último, a frequência (repetições do movimento executadas dentro de um intervalo de 1 minuto). A conjugação desses fatores é que determinará se a atividade está ou não adequada do ponto de vista ergonômico.

 

31.10.7 Para as atividades que forem realizadas necessariamente em pé, devem ser garantidas pausas para descanso.

Todo gestor de produção sente um frio na espinha quando ouve a palavra “pausa”. Parar uma máquina ou interromper uma atividade representa impactar negativamente na produtividade final e ninguém quer isso. Para que uma máquina dê o máximo de retorno, compensando o investimento feito, ela deveria operar 24 horas por dia, dando o seu máximo. Parar uma máquina, parar uma linha, quebrar a cadência é algo que precisa ser feito com muita responsabilidade, de modo a oferecer a compensação necessária ao trabalhador causando o mínimo de impacto à produção. Uma análise ergonômica bem estruturada aliada a um mapeamento biomecânico constitui uma ferramenta crucial aos gestores quando o assunto for pausa ou rodízios.

Veja neste infográfico como o Mapeamento Biomecânico pode favorecer a tomada de decisão de gestores de produção, médico e até do departamento jurídico.

 

 

 

31.10.8 A organização do trabalho deve ser adequada às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado.

A organização do trabalho faz parte do item “pessoas” durante o levantamento de informações para a realização de uma Análise Ergonômica. Se o analista em Ergonomia não conversa com as pessoas (da base ao topo da pirâmide hierárquica) desconfie, você pode estar pagando por uma análise superficial e pouco efetiva. Mas para isso, o ideal é que o analista tenha não só conhecimentos de Medicina do Trabalho, mas também de Engenharia de Produção, para entender e trabalhar de forma multi e interdisciplinar.

 

31.10.9 Nas atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou dinâmica devem ser incluídas pausas para descanso e outras medidas que preservem a saúde do trabalhador.

 

Algumas empresas, preocupadas em preservar a saúde dos trabalhadores, evitando a geração de fadiga ou mesmo o acometimento de lesões LER/DORT, tem investido em Estudos Ergonômicos específicos, com utilização de frequencímetro cardíaco, análise detalhada das condições de conforto térmico e dispêndio energético, por exemplo. Tudo para que as pausas sejam precisas no sentido de compensar os esforços, minimizando os impactos produtivos.

Para saber mais sobre “Estudos Ergonômicos” clique aqui.

 

É isso ai. Vamos pra cima!!!

 

 

 

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