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A Ergonomia e a Engenharia Psicológica (ergonomia cognitiva)

Você pode estar estranhando o termo “engenharia psicológica”, até pelo fato do antagonismo que aparentemente existe entre engenharia e psicologia. Mas, apesar de pouco utilizado ele é apenas uma outra forma de se chamar a conhecida ergonomia cognitiva, um tema que teve grande projeção com o advento dos computadores em meados da década de 1980 com estudos bastante focados na interação homens x computadores.

 

Mas, apesar de sua estreita relação com as interações homem x computador, essa área de estudo é bem mais ampla que isso, ela busca relacionar mecanismos mentais complexos, como a percepção, cognição, atenção, controle motor, armazenamento e recuperação de memória e como eles afetam a interação de um trabalhador com os sistemas de trabalho que ele utiliza.

 

Os primeiros estudos que foram além da Interação humano-computador (IHC)


Alguns estudos bem documentados em Ergonomia Cognitiva buscavam investigar questões como a carga mental de trabalho, processos de vigilância, ocorrência de erro humano e tomada de decisão. Entre esses estudos destacam-se dois que ganharam repercussão por se atentarem aos processos de trabalho e não somente na interação homem x computador como tantos outras, são eles: Atkinson e Schiffrin que investigaram, na década de 1960, o processo de memória humano e Card, Moran e Newell que em 1986 propuseram o modelo processador humano.

 

O modelo de memória de Atkinson e Schiffrin


Segundo o modelo proposto em 1968 os dados captados do ambiente são direcionados para uma “caixa de armazenamento sensorial” que armazena esses dados por curtíssimos períodos de tempo (>1 segundo), transferindo-os, logo em seguida, para a memória de trabalho, também chamada de memória de curta duração, onde os dados ficam armazenados por poucos minutos enquanto estão sendo utilizados na execução das tarefas do dia-a-dia.

 

Essa memória tem uma capacidade limitada de armazenamento, no entanto é muito fácil recuperar dados armazenados nela. Depois disso, os dados tratados que se tornaram informações e foram classificados como “importantes” são transferidos para a memória de longa duração, onde ficarão por tempo indeterminado. Essa memória tem uma capacidade quase infinita de armazenamento. No entanto, a recuperação é bem mais difícil.

 

 

Figura 1: O modelo de memória de Atkinson e Schiffrin (1968) – Imagem Ergotríade, com base nos textos do livro – Ergonomia: trabalho adequado e eficiente – MÁSCULO, Francisco Soares; VIDAL, Mário Cesar.

 

 (CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR)

 

 

O modelo processador humano de Card, Moran e Newell


Esse modelo proposto em 1986 pretendia tornar-se um método de aplicação dos conhecimentos da psicologia na prática da engenharia. Ele “resume” os processos cognitivos compostos de processadores, memórias e sistemas, tal qual ocorre com os computadores. Card, Moran e Newell imaginaram três subsistemas em interação constante e os chamaram de PP: Processador Perceptual, PC: Processador Cognitivo e PM: Processador Motor, cada um deles com suas próprias memórias e processadores.

 

Pedindo licença aos especialistas e autores, e visando facilitar o entendimento, podemos analisar o modelo da seguinte maneira: Os dados são coletados do ambiente através dos diferentes sentidos, sendo olhos e ouvidos os mais eficazes na captação de dados. Como forma de exemplificar, vamos admitir que um tradutor esteja realizando seu trabalho simultaneamente.

 

Ele precisa ler palavras em uma tela ou ouvi-las, interpretá-las, realizar a tradução para o português e logo em seguida digitar em um teclado a palavra traduzida. Em dado momento ele lê ou ouve a palavra “house”. Esse dado é captado pelos olhos ou ouvidos e conduzido para o Processador Perceptual que armazena a imagem visual ou auditiva daquilo que acabou de ser captado enquanto ocorre a codificação da mensagem. Uma vez codificada ela é transferida para o Processador Cognitivo que irá recorrer ao seu banco de informações guardado na memória de longa duração, lá existe uma imagem já gravada que dá conta que“house” é igual a “casa”.

 

Isso ocorreria mesmo que o tradutor visse uma imagem de uma casa e tivesse que escrever seu significado em inglês. Por fim, o Processador Motor recebe a informação em forma de ordem e a executa fazendo com que o tradutor digite “casa” como resultado final da tradução.

 

 (CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR)


Figura 2: O modelo processador humano de Card, Moran e Newell de 1986. Imagem Ergotríade, com base nos textos do livro – Ergonomia: trabalho adequado e eficiente – MÁSCULO, Francisco Soares; VIDAL, Mário Cesar.

 

Complexidade das mensagens e o risco ergonômico

(CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR)

 

A codificação e descodificação das mensagens descritas acima ocorre em curtíssimos períodos de tempo, num sistema que pode trabalhar tanto em série, no caso de tarefas simples como apertar um botão após ver um sinal luminoso, ou em paralelo no caso de situações complexas, como a tradução simultânea descrita.

 

A interpretação dos dados pode ser influenciada pela intensidade da mensagem, por exemplo, e está sujeita a capacidade da memória de trabalho. Se a quantidade de dados captada pelo Processador Perceptual for muito grande, pode ocorrer a saturação da memória de trabalho antes que todos os dados sejam transferidos, provocando problemas, atrasos ou mesmo impossibilitando a interpretação da mensagem.

 

Atualmente os estudos em Ergonomia Cognitiva buscam analisar situações críticas onde trabalhadores estão sujeitos a inúmeros dados e precisam constante e rapidamente extrair informações deles para a tomada de decisões muitas vezes críticas, como é o caso dos controladores de tráfego aéreo, por exemplo.

 

ACT – Análise Cognitiva do Trabalho 


As três fases de uma ACT – Análise Cognitiva do Trabalho são: a identificação das formas de obter os dados que serão processados para extrair informações, das formas de se analisar tais dados e das formas de representar o conhecimento adquirido. Neste trabalho, busca-se entender o que está por trás da execução do trabalho e as interações do homem com os sistemas que ele utiliza; oOs elementos de conforto relacionados à adaptação homem x máquina e, principalmente, as competências de cada trabalhador que, dentro de um dado sistema, podem ser cruciais para a contenção de catástrofes.


Em síntese, a ergonomia cognitiva vai muito além da relação homem x máquina, ela deve englobar todas as variáveis de um sistema, considerando homem e máquina como elementos de igual peso dentro do resultado final do trabalho.

 

Abraço e Go ahead together!!!

 

Escrito por:

Rodrigo Cirino de Souza, sócio co-fundador da Ergotríade, é Engenheiro de Produção e Comunicador Social.

Revisado por:

Omar Alexandre Ferreira, sócio fundador da Ergotríade, é Fisioterapeuta do Trabalho, Engenheiro de Produção e Mestrando em Ergonomia.

 

 

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