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Como turbinar a aquisição de informações com a Ergonomia Cognitiva

July 28, 2016

Na semana passada nós escrevemos sobre como a ergonomia pode ajudar nos estudos durante uma bateria de provas. Muitos leitores escreveram elogiando o texto e contando suas experiências. Isso nos motivou a aprofundar o assunto e falar um pouco mais sobre o processo de comunicação, absorção de informação e aprendizagem.

 

Informação que gera conhecimento, conhecimento que facilita a decisão.

Informação é tudo aquilo que recebemos de um determinado sistema ou ambiente. Por exemplo, quando alguém acende uma luz, isso é uma informação; um ponteiro que se move, o som de uma buzina, o latido de um cachorro, um gráfico, uma piscada, uma expressão facial, um cheiro… Tudo é informação!

Por exemplo, o que essas imagens lhe transmitem? Esporte? Futebol? Azedo? Verão? Caipirinha? Dor? Angústia? Sofrimento?

 

 


Apesar de não haver nenhuma palavra escrita, elas estão te passando informações e o seu cérebro está interpretando isso e tentando gerar conhecimento. Ou seja, estamos o tempo todo transmitindo e captando informações. Num processo ininterrupto e cada vez mais intenso.

 

O processo de comunicação

 

Para que a transmissão da informação ocorra adequadamente, são necessários 6 elementos:

EMISSOR – MENSAGEM – CÓDIGO – MEIO – RECEPTOR – FEEDBACK

 

Esses 6 elementos interagem da seguinte forma:

 

O emissor, que deseja enviar a mensagem, precisa escolher um código e o meio pelo qual deseja transmiti-lo ao receptor. Um exemplo: uma mensagem codificada em língua portuguesa, transmitida pela fala (propagação pelo ar), que é recebida pelo interlocutor, decodificada (ele conhece o idioma) e compreendida (ele envia um sinal que faz com que o emissor confirme o entendimento). Se o ciclo se fechar, com o feedback do receptor, a comunicação terá sido efetiva.

 

 

 

O sétimo elemento envolvido em um processo de comunicação é o ruído, só que ele interage justamente em sentido contrário, ou seja, dificultando ou mesmo impedindo que a comunicação se concretize. Um livro com uma página faltando; uma linha mal impressa; um barulho durante uma palestra; um chiado no rádio; um pendrive que não abre; alguém que passe na frente da TV; a não compreensão de um idioma ou do significado de uma palavra… Todos esses são exemplos de ruídos de comunicação que podem trazer resultados danosos, dependendo da situação.

 

Já escrevemos sobre alguns ruídos de comunicação que podem ser minimizados com a ajuda da ergonomia cognitiva. 

 

O fluxo das informações

 

A informação captada por nossos 5 sentidos é conduzida até o cérebro, onde ocorre a decisão. Se a informação não for utilizada naquele momento, ela será armazenada na memória para as futuras decisões.

 

A ergonomia, a partir da década de 1980, passou a estudar de forma mais crescente os aspectos envolvendo a captação de informações (percepção); o armazenamento (memória) e o seu uso no trabalho (decisão).

 

Graças a difusão da informática e da automação industrial o trabalho braçal passou a ser transferido às máquinas e o homem começou a trabalhar com o cognitivo, ou seja, tendo de tomar decisões.

 

Memória de curta e longa duração

 

A memória está relacionada com as transformações das sinapses cerebrais. O cérebro usa essas sinapses para tomar uma decisão imediata ou para armazená-la e usá-la em outro momento.

As 10 bilhões de células do sistema nervoso central permitem uma capacidade total de memória de cerca de 100 milhões de bits. Para se ter uma ideia, um Core i7 corresponde a 64 bits de memória… Sentiu a diferença?

 

A memória de curta e de longa duração.

 

A memória de curta duração ou memória de trabalho retém informações por períodos muito curtos, de 5 a 30 segundos, e essa informação é esquecida na maior parte das vezes. É o que acontece quando ouvimos um número de telefone, por exemplo. Ela está associada a um processo de liga e desliga.

Por outro lado, a memória de longa duração retém informações por um tempo muito maior. Ela está associada a um processo de modificação na estrutura da célula nervosa. Além disso, tem caráter associativo, ou seja, fixa melhor as informações quando estas se conectam com uma rede neural já existente no cérebro, como experiências vividas anteriormente.

 

Veja abaixo um quadro com as principais diferenças entre a memória de curta e a de longa duração.

 

 

 

Pane no Sistema

Em ambas as memórias, quando ocorre excesso de informação, pode haver uma saturação e com isso ocorrer uma perda de retenção. Isso é muito comum quando o tempo de exposição a uma fonte emissora é muito longo… O cérebro percebe que não está conseguindo absorver tudo e decide “desligar” por um tempo.

 

Em um interessante estudo realizado nos Estados Unidos, com alunos do colegial, aulas de 20 minutos eram ministradas, intercaladas por intervalos de 10 minutos. Após o primeiro intervalo, o professor intensificava o conteúdo em um período de mais 10 minutos, estimulando a memorização daquilo que havia sido passado inicialmente. Este processo era repetido em um ciclo de 90 minutos, sempre intercalando exposição com intervalo. Após submeter os alunos a uma prova, os resultados foram surpreendentes… Em 6 meses os alunos já haviam atingido o nível esperado para o final do curso.

 

Isso mostra que diluir o processo de aquisição de informação ao longo de um determinado tempo é muito mais eficaz do que ficar horas e horas debruçado sobre os livros.

Uma forma bem legal de evitar a saturação e favorecer o processo de aprendizado (transformação de informação em conhecimento) é utilizando mapas mentais. Dá uma olhada neste que preparamos especialmente para esta matéria.

 

 

 

Os mind maps são muito show e merecerão uma matéria a parte, falando especialmente sobre eles, seus benefícios e como fazê-los. Aguarde!

O uso dessas dicas simples pode trazer resultados imediatos. Com o tempo e uso constante você irá ficar cada vez mais craque e gastará menos tempo para estudar ou adquirir novos conhecimentos.

 

Tente aplicar esses conceitos na empresa, veja essas 3 dicas práticas:

 

1) Procure fazer reuniões mais focadas, pense no processo de comunicação: passe a informação, garanta que todos entenderam e avance para a fase de tomada de decisão;


2) Repense os treinamentos de um dia inteiro. Lembre-se que período curtos, intercalados com intervalos, podem ser muito mais efetivos no processo de aquisição da informação e conhecimento;


3) Considere conceitos da ergonomia cognitiva quando elaborar comunicações escritas. Lembre-se que os ruídos, por mais simples que sejam, podem por tudo a perder.

 

E você, tem alguma história para contar, fale com a gente, enriqueça esse debate!

Vamos pra cima!!!

 

 

 

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