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A ergonomia nos escritórios: O fim das suas dúvidas!

July 26, 2016

Estudos para substituir as cadeiras por bolas, será que isso é possível? E como escolher a cadeira ideal.

 

 

 

Uma das maiores dúvidas nas empresas quando se fala em ergonomia nos escritórios, envolve a recomendação e escolha de qual cadeira é a mais indicada, aquela que não só atenda aos requisitos da norma regulamentadora 17, que fala sobre ergonomia, mas que também tenha uma boa aceitação por parte da galera que trabalha nas áreas administrativas, que normalmente costuma ser bastante exigente.

 

Afinal, o que uma cadeira precisa ter para cumprir com essa missão?

 

Nesse artigo vamos resenhar sobre as características que uma cadeira deve ter para atender a norma brasileira, e o que está rolando de mais inovador e revolucionário nos estudos envolvendo o trabalho sentado, e o que pensam os cientistas do Canadá e Itália.

 

Substituir as cadeiras por bolas, será que é possível? Existe comprovação cientifica que essa ação traz algum benefício?

 

Os caras fizeram

 

A revista americana WIRED, trouxe uma matéria sobre o mobiliário nada convencional de um escritório da Itália.

 

A empresa que tem como serviço oferecer bem estar aos clientes, permite e estimula que seus funcionários treinem em bikes durante o expediente de trabalho. Até ai tudo bem, mas os caras foram mais longe, trocaram as sofisticadas cadeiras Vitra, Herman Miller, por bolas suíças daquelas usadas nas academias ou em sessões de fisioterapia, numa versão mais sofisticada, feita com um tecido enrolado.

 

 

 

A ideia principal era que os funcionários que vendem bem estar, tenham ganhos e cuidem da sua própria saúde. Eles tem duas horas de almoço, e são encorajados a malhar nesse tempo.

 

O escritório dos caras, com 60.000 m2, tem 800 bolas, e foi inaugurado por nada menos que Bill Clinton e o presidente Italiano, Giorgio Napolitano.

 

O estudo e a mudança foram feitas com o embasamento e a chancela dos médicos responsáveis pela empresa.

 

Os defensores da ideia justificam os ganhos que a instabilidade da bola traz para o indivíduo que fica sentado por horas e tem que se equilibrar o tempo todo. Os músculos responsáveis pela manutenção da postura, são estimulados o tempo todo e acabam fortalecidos. Os médicos justificam que até as lombalgias (dores nas costas) desaparecem em duas semanas.

 

O uso da bola ao invés da cadeira não é obrigatório, no início havia uma resistência dos funcionários na adesão, mas depois de um tempo todos compraram a ideia e não querem mais mudar.

 

O uso da bola suíça é muito comum em sessões de fisioterapia convencional. Existem cursos especializados no uso da bola. Até o Pilates tem uma vertente que trabalha a bola, Pilates na bola.

 

Na época em que eu estagiava, atendi muitos pacientes, de neuro e ortopedia, fazíamos treino de equilíbrio, força, coordenação, propriocepção com o uso desse recurso.

 

Mas, dai a usar durante 8 horas dentro de um escritório a frente de um computador? Foge do imaginário de qualquer um que trabalhe em empresas.

 

Comparação entre a cadeira e a bola

 

Uma matéria da revista canadense Ergonomics, discutiu o uso da bola em um estudo que os pesquisadores do departamento de cinesiologia da Universidade de Waterloo fizeram.

 

Eles colocaram um grupo sentado sobre cadeiras e bolas fazendo uma determinada atividade e outro também sentados sobre bolas e cadeiras, porém sem executar nenhuma atividade. Os caras registraram a atividade muscular de ambos os grupos em todos os casos propostos.

 

No grupo que não estava fazendo nenhuma atividade, não foram encontradas diferenças significativas entre os que utilizavam a bola e os que estavam sentados em cadeiras. Em ambos os casos a atividade muscular registrada era muito baixa. Detalhe, a postura no momento da coleta era do tronco flexionado para frente.

 

Existe um paradoxo nessa situação. Apesar dessa postura não ser favorável para a biomecânica da coluna vertebral, uma vez que retifica as curvaturas da coluna, formando um arco, do ponto de vista muscular a sobrecarga é reduzida, uma vez que os músculos não tem que manter a manutenção da coluna ereta. Resumindo, quando você senta e apoia os dois antebraços sobre o joelho, relaxa a musculatura, mas sobrecarrega a coluna. Essa postura é boa para relaxar, por um período de tempo curto.

 

No resultado colhido, a grande diferença foi a queixa de desconforto por parte dos usuários das bolas, devido a instabilidade. Mas é subjetivo.

 

O responsável pela pesquisa, o Dr. Jack Callaghan, do CCPE do Canadá, responsável pela cadeira de pesquisa em Biomecânica da Coluna e prevenção de lesões, sugere que o desconforto pode ser mitigado se o usuário permanecer sentado por um período de tempo maior sobre a bola. Talvez pela adaptação dos músculos a essa instabilidade.

 

Nosso parecer

 

Eu acredito que uma mudança radical não é a solução mais adequada. Pode até funcionar na Itália, com funcionários que trabalham em uma empresa que tem como foco “produzir bem estar”, mas o ideal é olhar para a coisa como um todo. A cadeira faz parte do posto de trabalho. Você pode ter uma Aeron, a cadeira que o Jô Soares usa, se não seguir recomendações simples e pensar no todo, vai ter problemas com a sua coluna.

 

Então vamos a algumas dicas.

 

5 dicas para melhorar a ergonomia do seu posto de trabalho, com relação a cadeira.

 

1. Saiba escolher a cadeira

 

As pessoas pensam que quanto mais caro for a cadeira mais adequada ela é. Isso não é verdade. Aquelas cadeiras, tipo presidencial, com um encosto para a cabeça, suporte de tudo que é jeito, normalmente trazem problemas.

 

5 recursos e característica que uma cadeira deve ter:

 

1. Altura ajustável à estatura do usuário e a atividade que está fazendo;

2. Pouca ou nenhuma conformação na base do assento (aquele assento com uma saliência tipo banco de trem);

3. Borda frontal arredondada (evita comprimir os vasos da perna);

4. Encosto com forma levemente adaptada ao corpo, para proteção da região lombar;

5. Sistema com 5 rodízios que facilite o deslocamento para os lados, para frente e para traz.

 

Com exceção do item 5, essas são as especificações que a NR 17 determina. Ela também não fala sobre o apoio para os braços. Pela nossa experiência e conhecimento, uma mesa que tenha borda arredondada e facilite a aproximação da pessoa ao tampo da mesma podendo apoiar os antebraços, dispensa o uso do apoio de braços da cadeira. Aquelas mesas com um ângulo de recuo, são ideais. Aqueles suportes para teclado e algumas mesas podem fazer com que o apoio para os braços dificulte a aproximação junto à mesa, isso mais atrapalha do que ajuda. Se a cadeira tiver suporte para apoiar os braços, que seja regulável.

 

2. Conheça as regulagens que sua cadeira oferece

 

80% das pessoas que eu ouço nos escritórios não sabem usar as regulagens que sua cadeira oferece. Muitos não sabem nem que a cadeira tem as regulagens. Normalmente são duas alavancas, uma de cada lado, uma regula o encosto (recuo e função de descanso) e a outra a altura do assento. Pela marca da cadeira você consegue acessar o manual do fabricante no site dos caras. Faça isso ou procure os responsáveis pela segurança e saúdo ocupacional da sua empresa.

 

3. Ajuste seu posto de trabalho

 

Como eu disse, muitas vezes o problema é a mesa, o micro, tudo; menos a cadeira. A mesa tem que ter borda arredondada, de preferencia com um ângulo de recuo que permita a aproximação da pessoa ao tampo da mesma, altura padrão de 0,75 m, espaço suficiente para acomodar o material que você utiliza normalmente. Esqueça o vidro que além de brega produz reflexos no campo de visão e comprime os tecidos moles do punho. O monitor deve estar posicionado na altura da linha dos olhos, de forma que a cabeça fique em uma posição neutra, nem olhando para cima, nem para baixo. Os pés devem estar bem apoiados no chão, pessoas com menos de 1,70 m de altura devem usar um suporte adequado. Quem trabalho com o laptop, deve usar um monitor externo ou um suporte para regular a altura, além do mouse e teclado externo, de preferência sem fio, para ter liberdade de movimentação.

 

4. Faça pausas

 

No mínimo uma pausa entre intervalos de uma hora devem ser feitas. Pausa não significa necessariamente ficar parado, sem fazer nada. Seja ir buscar uma cópia na impressora, falar com o colega que senta a cinco mesas da sua, ao invés de usar o messenger, aproveitar para beber água. Nesse caso, a garrafinha é paradoxal, pois o cara bebe água mas não tira a bunda da cadeira.

 

5. Mantenha uma manutenção regular

 

Alguns fabricantes dão garantia quase que vitalícia para suas cadeiras, mas manter uma manutenção regular é necessário. Com o tempo a espuma do assento perde a densidade, principalmente se a criança que passa de 8 a 10 horas nele tiver mais que 100 kg, como eu por exemplo. Existe uma Norma Brasileira, NBR 13962 que dá todos os parâmetros para móveis de escritório, inclusive da cadeira.

Veja como é o pós venda e a assistência que o fabricante oferece na hora da compra.

 

Com essas medidas as chances de você errar são bem menores, e a sua coluna vai agradecer.

 

É isso ai, espero que vocês tenham gostado do artigo, caso tenha ficado alguma dúvida ou você queira complementar algo que eu tenha esquecido, deixe seu comentário.

 

Gerar informação para ajudar as pessoas a tomarem melhores decisões, essa é nossa missão, e a sua?

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